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Salvador Sobral leva o Brasil ao Oslo World

Foto do escritor: Rodrigo Braz Vieira
Rodrigo Braz Vieira
há 22 horas
4 min de leitura

Salvador Sobral se apresenta no Oslo World, no Cosmopolite, no dia 28 de outubro. Português, mas profundamente influenciado pela música brasileira, o cantor fala em entrevista exclusiva ao Brasil i Norge sobre Caetano Veloso, Pernambuco, a diversidade da música brasileira e o novo álbum A Flor do Recomeço.

Salvador Sobral no Oslo World Noruega

Salvador Sobral é português, mas o Brasil faz parte de sua formação musical há muitos anos.

Ele cresceu ouvindo Maria Bethânia no carro da mãe e Chico César no carro do pai. Mais tarde, Caetano Veloso se tornaria sua maior referência dentro da música brasileira.

Agora, essa relação com o Brasil ganhou sua forma mais completa até aqui.

Na quarta-feira, 28 de outubro, Salvador Sobral se apresenta no Oslo World, no Cosmopolite, em Oslo, com o projeto A Flor do Recomeço.

O álbum foi gravado em São Paulo, produzido pelos brasileiros Marcus Preto e Tó Brandileone e reúne exclusivamente composições de autores brasileiros.

Entre os nomes envolvidos estão Adriana Calcanhotto, Chico César, Céu, Marcos Valle e Tim Bernardes.


“A música nasceu no Brasil”

Para Salvador Sobral, a ligação com a música brasileira vai muito além de uma influência pontual.

Ele já afirmou estar convencido de que “a música nasceu no Brasil”.

Ao Brasil i Norge, ele explica o que encontra de tão especial nessa tradição musical:

— Acho que o que mais me inspira na música brasileira é a complexidade simples que existe nela. A riqueza harmônica, melódica e lírica das canções, que, quando são ouvidas, parecem fáceis. O ouvido agradece.

E resume:

— Acho que isso é o que mais gosto da música brasileira: uma densidade leve.


De Maria Bethânia a Caetano Veloso

A relação com o Brasil começou ainda na infância, em Portugal.

— Eu cresci ouvindo Maria Bethânia no carro da minha mãe e Chico César no carro do meu pai.

Mas, quando precisa apontar uma influência principal, Salvador Sobral é direto:

— A minha maior influência na música brasileira é Caetano Veloso, com quem já tive a oportunidade de cantar.

Ao mesmo tempo, ele insiste que a música brasileira não para de surpreendê-lo.

Cita nomes como Hermeto Pascoal, Luedji Luna e Elis Regina e destaca uma característica que considera essencial:

— A música brasileira está em contínua reinvenção.


Um encontro entre gerações da música brasileira

Essa capacidade de renovação também está no centro de A Flor do Recomeço.

Sobral queria que o álbum reunisse gerações diferentes da música brasileira.

De um lado, artistas como Joyce e Paulo César Pinheiro. De outro, nomes que fizeram parte de sua própria adolescência, como Céu e Arnaldo Antunes, ligado aos Tribalistas.

E havia ainda o desejo de incluir uma geração mais nova.

— Eu também queria ter uma geração nova, uma geração fresca do Brasil, que está fazendo música muito interessante nos dias de hoje, como é o caso de Tim Bernardes, Juliana Linhares ou Martins.

A proposta, porém, nunca foi simplesmente fazer “um disco brasileiro”.

Sobral sempre demonstrou cuidado para não transformar a influência brasileira em imitação ou caricatura.

O caminho foi outro: convidar compositores brasileiros a escrever para o seu universo musical.


“O Brasil são muitos países dentro de um só”

Essa ideia de diversidade atravessa toda a forma como Salvador Sobral fala sobre o país.

Para ele, não existe uma única definição possível de música brasileira.

— O Brasil é muito eclético. O Brasil não é só samba, e o disco também é um espelho disso.

E então vem uma das frases mais fortes da entrevista:

— O Brasil são muitos países dentro de um só. Musicalmente também.

Ele cita, por exemplo, a forma particular de escrever de Adriana Calcanhotto.

Já Marcelo Camelo e Mallu Magalhães receberam dele um pedido diferente:

— Como eu lhes pedi uma música mais alegre, mais dançante, eles corresponderam.

Para Sobral, essa amplitude é parte central da força musical do país.

— Sinto que a música nasceu no Brasil, que a inspiração musical nasceu lá e continua lá até hoje, em todas as formas possíveis. Toda a música está presente no Brasil.


Pernambuco, Recife e Olinda: os lugares que mais o marcaram

A relação com o Brasil também passa pela experiência concreta de estar no país.

Ao ser perguntado sobre os lugares que mais o marcaram, Salvador Sobral não hesita:

Pernambuco.

— Tenho que dizer que a minha região preferida do Brasil é Pernambuco. Eu amo as pessoas, amo a pronúncia, o sotaque dos pernambucanos. Amo a música deles e o orgulho que eles têm da própria terra.

Recife e Olinda ocupam um lugar especial nessa relação.

— Pernambuco, Recife em particular, e Olinda são lugares que me marcaram muito. Também pelo contato que tive com músicos locais, como Juliano Holanda, Martins e Isadora.

E completa:

— Sempre somos muito felizes no Recife. É o lugar que mais me marcou no Brasil.

Olinda UNESCO by Pernambuco Brasil i Norge
Olinda, Pernambuco -Brasil

Uma mensagem para brasileiros e portugueses em Oslo

O Oslo World reúne um público internacional, e a capital norueguesa abriga também uma comunidade expressiva de brasileiros, portugueses e outros falantes de português.

Para Sobral, viver fora do país de origem costuma reforçar a relação com a própria cultura.

— A experiência que eu tenho conhecendo comunidades emigrantes é que os portugueses, por exemplo, que vivem fora sentem um patriotismo que talvez não sintam os próprios portugueses em Portugal.

Segundo ele, algo semelhante acontece com os brasileiros.

— O brasileiro emigrante é muito brasileiro e tem um orgulho imenso das suas raízes, da sua cultura e, obviamente, da sua música também.

Por isso, ele espera que a apresentação em Oslo tenha também uma dimensão afetiva.

— A mensagem que eu tenho é que eles possam vir ao concerto, possam desfrutar e possam sentir um pouco desse reconforto de casa, um refúgio de casa, enquanto eu canto canções de nomes que certamente marcaram a vida dessas pessoas.


Salvador Sobral no Oslo World 2026

Salvador Sobral ficou conhecido internacionalmente após vencer o Eurovision Song Contest em 2017 com “Amar Pelos Dois”.

Mas sua apresentação no Oslo World revela uma dimensão muito mais ampla de sua trajetória artística.

No Cosmopolite, sua identidade musical encontra compositores, referências e sensibilidades vindas do Brasil.

Talvez a melhor síntese dessa relação esteja nas próprias palavras do cantor:

“O Brasil são muitos países dentro de um só. Musicalmente também.”


Salvador Sobral – Oslo World

Data: quarta-feira, 28 de outubro de 2026Local: Cosmopolite, OsloAbertura das portas: 20hShow: 21hIngressos: 480 / 420 NOK

Entrevista exclusiva: Rodrigo Braz Vieira / Brasil i Norge

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